Nasci há muitos anos
Fiquei ao lado dos homens
Das crianças, das mulheres.
Fui muito querido
Em todos os círculos sociais
Participei de muitas festas
Fui a bailes de casamentos
De formatura, de aniversário.
Vi nascer, crescer, morrer,
Tanta gente distinta
Que meus olhos riram
Alegraram e choraram
Contava tudo o que via e sentia
Era o favorito das moças
Dos rapazes, dos homens.
Quantas vezes servi de consolo
A quem chorava!
Infinitas vezes fui palhaço de muitos!
Mesmo com o coração amargurado, doente, quase a morte.
Eu fazia rir
Quem estava em melhores condições
Fui impiedoso em certas épocas
Não poupei os fortes cínicos
Em defesa dos fracos simples
Que não esqueci
Fui amigo de ricos, de pobres, de pretos, de branco
Dos magros, dos gordos;
Dos altos, dos baixos;
Chorei, sorri;
Brinquei, briguei;
Venci, perdi;
Depois dormi
Perdi-me na poeira dos anos
A idade avançava
Fui ficando velho, abatido, cansado.
O sono pesou-me as pálpebras
Hoje acordei
Acordei rindo
Porque uma vez me disse
“Acorda, RAPAZ!”.
Você ainda tem muitos anos de vida!
Ainda poderá vencer
E mostrar aos outros
Que vale alguma coisa!”
E ressuscitei
Já dizia o Eclesiastes.
Que tudo que é, foi e será.
Eu fui, sou e serei.
Ainda verei as mesmas coisas
Participarei das mesmas alegrias
Das mesmas tristezas
Porque nada há de novo
Debaixo do sol!
Digo: “presente”
Estou aqui
Aceitem-me
Eu sou
“O RIO CASCA”!
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